Podia e devia falar de coisas actuais.
Eu vejo os jornais, os telejornais.
Eu vejo tudo aquilo que acaba em ais.
Vejo o primeiríssimo cheio de teias, enredos,vejo a manela cheia de plásticas, o Crespo encrescapo, os assaltos.
As esposas assassinadas.
Eu devia falar disso tudo.
Tudo o que está na ordem do dia.
Mas não posso.
Não posso porque ando à sete meses no hospital.
E ali ninguém fala nessas merdas tão importantes.
As escutas, o primeiro, o jornal da sexta. Ninguém fala do palhaço mais corrupto.
No hospital fala-se pouco, mas trocam-se muitos olhares.
No hospital não há conversas interessantes, nem filosóficas.
Há conversas de dor. Há conversas reais.
Há 2 horas








