terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Shame On Me

Podia e devia falar de coisas actuais.
Eu vejo os jornais, os telejornais.
Eu vejo tudo aquilo que acaba em ais.
Vejo o primeiríssimo cheio de teias, enredos,vejo a manela cheia de plásticas, o Crespo encrescapo, os assaltos.
As esposas assassinadas.
Eu devia falar disso tudo.
Tudo o que está na ordem do dia.
Mas não posso
.
Não posso porque ando à sete meses no hospital.
E ali ninguém fala nessas merdas tão importantes.
As escutas, o primeiro, o jornal da sexta. Ninguém fala do palhaço mais corrupto.
No hospital fala-se pouco, mas trocam-se muitos olhares.
No hospital não há conversas interessantes, nem filosóficas.
Há conversas de dor. Há conversas reais.

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

O Sporting e o Espírito de Vassalagem


Como grande benfiquista que sou, confesso que neste último jogo, entre verdes e azuis, eu até estava a torcer pelo Sporting.
É que além de benfiquista sou também anti-portista.
Mas a verdade é que o Sporting só teve aquilo que mereceu.
E não é pela equipa ser uma bosta.
Até porque tenho aquela coisa parva de torcer pelos mais fracos.
Eu acho que eles mereceram verdadeiramente aquela cabazada pela vassalagem vergonhosa que prestam aos tripeiros.
Basta ver o dia seguinte, ou o trio de ataque, para perceber que a personalidade leonina à muito que se tornou mito urbano.
Aquilo é de uma graxice que chega a roçar o ridículo.
E o Porto, que de amigo pouco tem, dá-lhes um tratamento de boas-vindas que tão cedo não esquecerão.

Amigos, amigos, futebóis à parte.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Tanto Galaró Que Ainda Anda Por Aí


O galo é o dono da casa
a galinha, da cozinha
ou se porta direitinha
ou apanha com a asa
que o galo é o dono da casa

O galo canta de galo
a galinha cacareja
e o pintainho deseja
o fim de tanto badalo
e o galo canta de galo

O galo come faisão
a galinha é quem o assa
e o pobre do pinto passa
passa uma fome de cão
e o galo come faisão

O galo é o dono dos ovos
a galinha é quem os bota
e o pinto é compatriota
da miséria de outros povos
que o galo é o dono dos ovos

Por mais que cante de galo
o galo está a dar o berro
é que nem com mão de ferro
faz do pinto seu vassalo
por mais que cante de galo

Anda amarelado o galo
como a gema que o pariu
o sol nunca lhe sorriu
quanto ao pinto é um regalo
não há sol que não o tisne
o galo canta de galo
para o pinto é canto do cisne.

Sérgio Godinho

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Fazia-me Falta

Fazia-me falta um aeroporto aqui à porta.
Com aviões pequenos, familiares, que me levassem a mim e ás malas velhas que tenho aqui por casa.
Quase malas de cartão, que pele só a minha.
Fazia-me falta um qualquer destino tropical, um amazonas imenso de ausência.

Ah, o que me fazia falta deixar por aqui a carcaça velha e renascer na viagem.

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Três Cantos



Estou aqui a ver
estes senhores no canal 1 e cheinha de pena de não ter estado lá!

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

O Grande Amor

Consigo entender os putos de vinte anos que se apaixonam de forma, um tanto ou quanto, melodramática.
Ah, porque este é que é o grande amor.
Ah, porque nunca amei, nem amarei, ninguém assim.
Entendo e até têm o meu perdão. São novos coitados, merecem a nossa simpatia.

O que já me deixa lixada é esta merda acontecer quando as pessoas já são mais velhinhas.
Tipo depois dos trinta.
E, ainda por cima, quando já levam umas quantas relações no bucho.
Todas elas bestiais em seu dado momento, mas que não passaram de devaneios da juventude. Ah, porque agora somos mais velhinhos, mais conscientes e tal.
Agora é que é o grande amor.
E que não se atrevam a discordar.
Então não percebem o que nos amamos?
As mãos dadas, o sexo bruto e abundante.
Gostamos das mesmas bandas, votamos no mesmo partido, e até nas comidinhas temos o mesmo gosto....Dasss!

P.S- Vou só ali cortar os pulsos e já volto!

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Inês

Vou contar-te uma coisa.
Há alturas em que as pontas espigadas da minha vida me incomodam.
Parecem as borbulhas que são como bombas atómicas aos quinze anos.
Tento realçar o melhor de mim, mas há sempre ali uma cratera qualquer a usurpar o meu momento de glória.

E eu que nasci para momentos de glória.

Desde pequena que tinha a irreverência dos grandes génios.
Ia ser, na pior das hipóteses, presidente da república.
Na melhor ganharia um prémio Nobel.

Não interessa nada se o meu conhecimento de matemática é nulo.
Não quero saber se não sou expert em nenhum campo em especial.
Era boa com as pessoas.
Tornei-me tão boa nisso que os gajos da matemática me passaram a perna.
Não sei se eles, com tantos cálculos, têm pontas espigadas na vida, não sei se as calculadoras deles dão apenas resultados positivos.
As minhas calculadoras avariam pelo negativo que dão.

Mas sabes Inês, filha, fui o melhor que podia.

Apostei nas pessoas.
Umas vezes ganhei, outras perdi.
Acredito que a queda, para quem aposta nas pessoas, é maior e mais dura.
Mas o que ganhamos na viagem é incomparavelmente melhor.
Ganhamos a humanidade.
E para isso miúda, não há preço.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

Before You Acuse Me


Take a Look at Your Self

Cabelinhos Brancos

Percebes que já estás noutro patamar da vida quando é a tua vez de ficar acordada à espera que o rebento chegue de uma noitada.

Dassssss......

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Haiti



























De vez em quando aparecem estas imagens nos ecrãs.

Nunca percebi muito bem por que carga de água os países mais pobres são sempre os mais fustigados.
As pessoas dos olhos tristes inundam as nossas casas de tempos a tempos.
Parece uma partidinha qualquer do Universo.
Ninguém merece isto, nenhum país, nenhuma população.
Mas parece-me que aqueles que merecem menos são sempre os mais contemplados com esta roleta russa da Natureza.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Bom Ano
























E aí está a entrada no novo ano.
Chuva e frio e uma constipação que é a cereja no cimo do bolo.
Bom Ano!

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

E Já Estávamos Atrasados

Finalmente o casamento homossexual foi aprovado.
Vamos lá a ver se não emperra ali para os lados de Belém.

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

O Que Não Tinha Conhecido Se Tu Não Existisses

O momento em que se dá à luz, aquele momento em que passamos a ser duas pessoas numa só, como se fosse uma irrealidade, é do mais anti-natural que existe na natureza.
Imaginem uma pessoa partir-se em duas estando inteira.
Desdobrar-se numa alma pequenina.
E ficar agarrada a ela.
Quando um filho sai de dentro de uma mulher o mundo muda completamente.
De repente não somos apenas uma pessoa.
Somos uma pessoa em duas.


E o amor que eu não tinha conhecido se não existisses...

O Homem Que Eu Amei

Nunca falei aqui do homem que eu amei.
Vou falar hoje.
O homem que eu amei foi o que me fez as filhas.
Podia não ser, podia ter sido outro, mas calhou que o homem da minha vida seja o homem da vida das minhas filhas.
Não sei muito bem porque o homem da minha vida deixou de sê-lo.
Achei que não havia nada que nos separasse.
Eu sei que todos achamos o mesmo.
Mas eu achava mais do que todos os outros.
Éramos bons em tudo.
O homem que eu amei era inteligente, bom amante.
O que nós nos ríamos juntos.
Ríamos pelos casais todos
.
O meu homem era seguro mesmo na insegurança.
Falávamos do que não se pode falar.
O homem que eu amei não é um homem qualquer.

É um homem que aprendeu que a juventude é apenas uma passagem.
Que a euforia é apenas uma miragem.


E que o amor não suporta tudo.

domingo, 27 de Dezembro de 2009

Catarina Boto



Bora lá votar na miúda.
Hoje está cheia de febre mas vai cantar na mesma!

sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Para Animar



Como diz o Acatar é estúpido.
Mas é mesmo muito bonito!


P.S-Peço perdão pelo plágio.

quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Deitadinho Nas Palhinhas


Feliz Natal

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Dancei Para Te Ver Aqui

Curiosidades De Merda


A comunidade chinesa tem crescido de uma forma estrondosa nos últimos anos aqui por este espacinho à beira mar plantado.
Eles são os restaurantes, as lojas que parecem cogumelos, sejam nas cidades ou nas vilazitas.

Mas houve sempre uma coisa que me fez confusão.
Nunca se vê um chinês em lado nenhum.
Num cafézito, num restaurante, num espaço qualquer que não seja o espaço deles. É como se não existissem e nós só nos lembramos deles quando entramos numa loja chinesa.
Têm o dom da invisibilidade.
Pois... mas isto foi só até ir ao casino de Lisboa uma noite destas.
Estava a comunidade chinesa toda nas mesas de jogo.
Percebi agora que quem andava nos sítios errados era eu.

domingo, 20 de Dezembro de 2009

É Tão Vergonhoso

É tão vergonhoso ter ideias.
É tão vergonhoso ter amigos homossexuais, porque isso é uma moda.
É tão vergonhoso ser apologista do aborto.
É tão vergonhoso falar de coisas sérias, porque é fatalista, e nós queremos estar longe dessa merda que é única e portuguesa, o fado.
É tão vergonhoso ter outras conversas que não sejam a economia, a taxa de juro, o freeport.
Todos queremos ter aquela palavra certa no discurso mais inteligente. Fazer a diferença.
Sermos os entendidos.
Para que nos levem a sério.
Para acharem que sabemos do que falamos. Mesmo quando não sabemos.
Mesmo quando plagiamos apenas.
Usar a voz e trocar os agudos pelos graves. Usar na voz uma gravata de respeitabilidade.
Uma coisa qualquer de quem sabe do que fala.
E, depois, ir para casa cheio de pequenas dúvidas existenciais, que não se discutem, que não são tema de conversa. Porque são pequenas.
É tão incómodo usar os neurónios para a parte intimista, aquela que cria os grandes silêncios.
Aquela parte que todos temos no silêncio do nosso silêncio.

P.S- Se tu não me perguntares pela minha alma eu não pergunto pela tua.

O Meu Benfas


Esta noite troquei o vinho pela cerveja e acho que resultou!

sábado, 19 de Dezembro de 2009

Um Tempo Que Passou

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Buracos

Sabes tinha tantas coisas para te dizer, mas são tantas que podias levar a mal.
Ia dizer coisas boas e coisas más.
E depois podias não gostar.
Talvez não me voltasses a telefonar, talvez me excluísses da tua mesa de jantar.
E eu, que tinha tantas coisas para te dizer, fico calada porque não aguento o telefone silencioso, porque conto sempre que tenhas um prato a mais para mim.
Penso sempre que um dia, entre um peixe assado e um café, tu vais puxar um fio qualquer à conversa e daí a nada vamos fazer um tapete de arraiolos.
Mas tu não fazes isso, levantas a mesa, apanhas as migalhas, arrumas a toalha.
Arrumas-nos a nós.
Não queres arraiolos, queres apenas o café.
Sem açucar.
Porque engorda.

E o arraiolos ...por Deus, o arraiolos dá muito trabalho! Tem muitos pontos.
Mas porque raios queres fazer um arraiolos agora?


E eu então bebo um café.
Mas porra, não prescindo do açucar.
Já basta ter que levar as linhas e as agulhas para casa.

Cada Um Tem O Pai Natal Que Merece Ou Que Quer


Acreditei no Pai Natal mesmo quando descobri que ele não existia.
Não sei em que altura foi isso, mas deve ter sido pela altura normal em que acontece a todos os mortais.
Para as minhas filhas foi na entrada da escola primária.
Houve sempre algum amigo filho da mãe que se encarregou de destruir os sonhos das princesas.
Engraçado, elas que são tão diferentes têm tido coisas muito parecidas, o pai natal que se revelou um barrete aos seis anos, a varicela que visitou as suas caras exactamente na mesma idade.
Eu acreditei sempre no homem das barbas mesmo quando tive que lhes explicar que as prendas não vinham dele.
Mesmo quando tive que explicar que a nossa chaminé é muito estreita para o gordinho entrar por ali.
Gosto da teoria do Pai Natal.
Gosto quando ele se materializa em jantares de amigos.
Gosto do amor que se desprende desses dias de Dezembro e que levamos pelo ano fora, mesmo que possa ser um amor que não cabe na chaminé.



P-S. Não há cabrão de puto nenhum, nem velha, nem novo cínico que me vai tirar isto!

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Prendas























Tenho uma mania muito estúpida na hora de comprar prendas para crianças.

Como tenho uma lista de miúdos um bocadinho extensa tento sempre arranjar algo que tenha uma caixa grande.

É estúpido, eu sei, a qualidade não está no tamanho, e isto não se aplica apenas ás prendas, mas não consigo controlar.

Olho para aqueles bonequinhos com meia dúzia de peças, e que custam uma pipa de massa, e não consigo compreender como se pode dar um dinheirão por aquilo quando mesmo ao lado está uma caixa enorme cheia de pecinhas que custa um terço do preço.


P.S - Sou uma forreta!